Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Notícias de além-mar

Quase um ano se passou desde que cheguei à terra estrangeira. É hora de atualizar a galera, e tentar manter esse negócio aqui atualizado também.

  1. Já estou me encaminhando para o final do meu segundo semestre por aqui, e semana que vem tenho um encontro com o meu advisor para discutir a minha formatura - que, pasmem, deve sair até o final do ano! Obviamente, como nada na minha vida é tão simples, tive que mudar a minha especialização de África para América Latina -- só para descobrir que ainda dava para completar a especialização em África antes de me formar, mas agora já foi -- e terei que pegar matérias durante o verão.
  2. Parei de fumar! O lance é que o estado de Maryland aumentou a sales tax para 6%, e os meus cigarrinhos passaram a custar 6 dólares o maço. Boa mulamba que sou, decidi que não dava para sustentar o meu vício, tive que parar de comprar cigarros, e parar de fumar por tabela. O lado positivo é que, graças ao laboratório de biologia, descobri que a minha capacidade pulmonar aumentou desde então, e é agora superior à média para a minha faixa etária.
  3. Ao final deste semestre, digo adeus para a minha amada colega de quarto, e me mudo para o cafofo. Dividir o banheiro com 2 rapazes, ao invés das 9 meninas, vai ser moleza. Ter uma cozinha pra fazer as gororobas, ao invés de ter que cozinhar na cafeteira, vai ser um escândalo. Fora que vou ter uma sala de estar com televisão flat screen de plasma 40 e poucas polegadas para jogar xBox, ao invés de não ter televisão alguma. E, ainda assim, estarei perto o suficiente para pedalar para a faculdade todos os dias (+/- 1 milha), e ainda vamos descolar um daqueles tranportadores de bicicleta para o carro, assim dá pra pegar carona quando as agendas permitirem. E tudo isso por 50% do que estou pagando atualmente para morar no campus. I win!
  4. Como todo mundo já sabe, porque eu me explano mesmo, estou provando do je ne sais quoi anglo-celta. Somos, digamos assim, um casal ímpar, uma coisa meio Eduardo e Mônica (minus the age difference). A gente se diverte demais com o lance de introduzir um à cultura e ao way of life do outro -- e vamos chegando a um denominador comum.
  5. Ao contrário do que eu imaginava, não estraguei a minha vida ao abandonar muito do que me era familiar para tentar a sorte n'outros portos. Às vezes, a gente faz diversos planos maquiavélicos, faz um mapa de como as nossas vidas irão seguir, e leva uma porrada pra ficar esperto. E a vida só tem graça assim, oras.

Terça-feira, 26 de Junho de 2007

Família

Lembrei que tenho blog, e resolvi postar as novidades. Encontrei esse draft salvo, e me lembro bem o porquê. Pois bem, acho que ainda merece ser postado, mesmo que incompleto, nem que seja como uma lembrança de como não se engajar em determinadas discussões. Não me lembro mais o que a publicação ia me render, talvez anos de terapia, talvez anos de perturbação. Vai ver me torner uma pessoa mais desapegada desde então. Lá vai:

Só para deixar claro que eu prefiro perder a minha herança a virar uma pessoa preconceituosa e amargurada.

OH, MAN! Tô sentindo que esse post vai me render, de fato, alguns anos de
E tenho dito.

Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Mais do mesmo

A fase de transição está chegando ao fim. Meus pais deixam o país nos próximos dias e, no próximo mês, eu, a outra metade e o gato teremos o mesmo destino. (Almost) everything has been taken care of, or so we hope. Enfim, lá vamos nós. Sobreviver a esse limbo tem sido, de longe, a parte mais insuportável de todo o processo.

Enquanto isso, despeço-me do trabalho e dos meus filhos adotados, os países africanos - não que eu não te adore, Índia, mas você sabe que sempre preferi os seus colegas. Espero que seja por pouco tempo, já que os planos incluem uma especialização em África - meia-boca, é claro, como qualquer especialização em nível undergrad, mas já é um começo. É por aí que pretendo dar início a uma sucessão de altos estudos e tchá-tchá-tchá, deixa essa parte pro livro de memórias.

Espero que a Guiné consiga, de fato, lidar com os seus conflitos sociais - baby, nada de brincar com os militares, ok? - e confiram logo poder a Kouyaté para que ele possa, enfim, exercer seu papel - vocês não querem outra greve geral, querem? Espero que o Senegal agrege, enfim, a oposição ao processo político, antes que a sua imagem perante a comunidade internacional seja desgastada - Wade, tens sorte de ser apoiado por suas políticas de abertura! - e que não irrite demais a Gâmbia. Enfim, cuidem-se, queridos.

Estou sem computador (acho que nem cabe computador no flat provisório). Se eu não voltar, desejem-me boa viagem. E aguardo visitas!

Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

Casa vazia

Minha casa está oficialmente vazia. Só restaram as malas! Não há geladeira, televisão, aparelho de som ou dvd, etc. Ou seja, estou acampando na minha própria casa!

Faz-se mister observar, no entanto, que eu estou melhor que a minha irmã, cuja cama foi despachada para além-mar, e agora dorme no sofá.

;)

Eu estou absolutamente viciada pela Guiné, que vem atormentando os meus dias. No próximo post, voui tentar explicar o porquê.

Terça-feira, 22 de Maio de 2007

Minha (curta) vida como católica

Minha curta vida de católica teve início - e fim - no ano de 1995. Naquele ano, fiz minha catequese e a primeira comunhão. De todas as alunas da quarta série, fui a escolhida para incorporar Maria em um teatrinho da cerimônia da eucaristia, que - admito - estava muito mais para um presépio vivo. Me comportei bem, eu acho, mas demonstrei claramente que não tinha qualquer talento para as artes cênicas. Enfim, acho que consegui o papel devido às minhas boas relações (conhece o pistolão?), assim como fui oradora dos alunos em alguma olímpiada colegial no ensino fundamental pela mesma razão.

Obviamente, esqueci daquele fatídico evento no dia seguinte. Hoje, vejo como as coisas acabaram saindo de uma forma absolutamente irônica: Maria foi a primeira a se consolidar como uma atéia convicta. Me pareceu injusto com as dezenas de crianças que viriam a se tornar boas católicas, e certamente teriam lembranças saudosas daquele dia, mas a vida é feita dessas coisas, não? Vai ver eles têm razão, e o deus deles escreve mesmo por linhas tortas.

Ah, claro, ênfase no ano: 1995. Eu tinha 10 anos, e toda a turminha estava fazendo catequese na escola. Os que não faziam catequese eram taxados de outsiders, então diversos pais batizaram seus filhos às pressas para que eles pudessem ser catequisados junto com o resto da massa de manobra. Veja só, isso é coisa que se faça com uma criança que não tem a mínima consciência do que está fazendo? Já não bastava terem me batizado quando eu ainda nem tinha dentes?

Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

Rio de Janeiro não é Amsterdã

Subia a escadaria do metrô da Cinelândia, ouvi um burburinho estranho vindo da rua. Uma infinidade de ohs, ahs e provocações de todo tipo. Estranho, não? Cheguei ao último degrau e passou por mim um travesti. Oras, quem nunca viu um travesti? Não é como se fosse um alienígena.

Não demorei para ligar os pontos. Era óbvio! Os homens gritavam "bicha", "viadinho", "boiola", até que ela parou, virou-se para trás, e viu que toda a Rio Branco olhava incrédula ou gritava palavras hostis. Balançou a cabeça, falou algo para si mesma, tentou se misturar na multidão, e seguiu o seu caminho.

Fato é que um "calem a boca, selvagens!" quase pulou da minha garganta, mas uma garota sozinha no centro do Rio não deve se meter em confusão com uma avenida inteira. Abaixei a minha cabeça - um ato de vergonha alheia - e constatei o inegável: o Rio de Janeiro não é Amsterdã.

Não sei se há salvação para o Rio de Janeiro, mas há para mim. Não me conformo. Quero voltar para Amsterdã, um lugar onde se pode ser diferente e, apesar de causar desconforto nos mais ortodoxos, dificilmente resultaria na pura e simples falta de respeito pelo próximo, que não é menos indivíduo que você próprio.

Terça-feira, 15 de Maio de 2007

Mudança I

Queria compartilhar com vocês o meu mais novo pet-peeve: mudança! Arrumar toda a bagunça acumulada nos últimos 22 anos, correr atrás de documentação, fazer exames de saúde, aguardar ansiosamente pelo carteiro e, ao mesmo tempo, ter a sensação de que não se está tomando a decisão certa.

Dizem que os passaportes estão prontos, que aguardam pelos vistos, que as primeiras caixas chegam ainda essa semana, e que partem no início do mês que vem, mas nunca se sabe, eu acho.

Então é isso. Só queria compartilhar esse sentimento agridoce que carrego no peito. Uma hora, quando conseguir sair dessa espiral onde me meti, tento escrever algo produtivo por aqui.


Post Scriptum:
1) Acabei de reparar que eu errei a minha própria idade ali embaixo. (!!!)
2) Coloquei um trequinho do last.fm aqui no blog, sem nenhum motivo específico. Para os que ainda não conhecem o sistema, recomendo dar uma olhada. É fenomenal!